quinta-feira, 20 de novembro de 2014

“Bombardear” as redes sociais com mensagens religiosas ou dar testemunho de Cristo?

Fonte: ACI

O Presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Mons. Claudio Maria Celli, animou os católicos a não terem medo de anunciar a Cristo nas redes sociais, e incentivou também a não “bombardear” estes canais com mensagens religiosas e sim a fazer-se presente com um testemunho valente e claro.

Assim o indicou o Prelado em entrevista concedida ao grupo ACI neste 18 de novembro na cidade de Lima (Peru), aonde se encontra para o 13° encontro continental da Rede de Informática da Igreja na América Latina (RIIAL) que se realiza até o sábado, 21.

Dom Celli disse que o próprio Papa Francisco, consciente dos “limites e perigos das redes sociais”, é quem encoraja este anúncio pois já existe uma “grande multidão de pessoas vive nelas e a tarefa da Igreja é fazer ressoar aqui a voz de Jesus. Que as pessoas possam encontrar Jesus e seu Evangelho”.

“Por que? Porque de repente estas nunca porão um pé na igreja. Se as testemunhas de Jesus forem fiéis, elas poderão testemunhá-lo. O mundo –recordou– está mais atento aos testemunhos que aos mestres, como dizia Paulo VI na Evangelii Nuntiandi”.

O Prelado precisou que este anúncio do Evangelho “não deve ser um bombardeio de mensagens religiosas a não ser um testemunho concreto, eficaz e verdadeiro das coisas nas que acreditam, do Jesucristo”.

Dom Celli afirmou ainda que em qualquer lugar do mundo e também na América Latina, “o discípulo do Senhor sabe o que tem no coração e não deve aguar a mensagem. Não pode reduzir os conteúdos profundos do Evangelho. Devemos, entretanto, respeitar o caminho e as dimensões religiosas dos outros”.

Recordando o que assinala o Santo Padre, o Presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais afirmou que “a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração e isso só se dá se formos testemunhas autênticas. Quero dizer a todos que não tenham medo de entrar nas redes sociais. Perguntemo-nos primeiro se fazemos vida o Evangelho para sermos testemunhas vivas”.

O bispo pôs como exemplo de testemunho do Evangelho o Papa Francisco: “em um mundo como o nosso onde pouco a pouco se esquece os idosos e os doentes, onde parece que o mundo é só dos jovens e belos, o Papa diz que é preciso sair ao encontro do homem de hoje”.

Este homem, prosseguiu, “está cansado e se sente sozinho e ferido, têm grandes dificuldades. O Papa nos diz que a comunicação deve fazer-se proximidade a este homem. A Igreja deve mostrar seu rosto maternal, expressar esta simpatia ao homem e à mulher de hoje. Que saiba dizer ao homem que Deus o ama ternamente. É um grande desafio”.

Para concluir, Dom Claudio Maria Celli disse que “uma das enfermidades modernas é que nos falta esperança. Nós, a Igreja, não somos os maiores nem os melhores do mundo, mas tentamos que Jesus esteja no profundo de nossa vida e queremos testemunhá-lo também no mundo digital. Esta é nossa tarefa –com a qual colaboramos em nosso Pontifício Conselho– anunciar a Jesus Cristo”.